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Bíblia «chegou a agnósticos e ateus» com tradução de Frederico Lourenço

Bíblia «chegou a agnósticos e ateus» com tradução de Frederico Lourenço

Imagem Frederico Lourenço | D.R.

O segundo volume da tradução da Bíblia a partir do grego, realizada por Frederico Lourenço, com edição da Quetzal, vai surgir esta sexta-feira nas livrarias, na expetativa de continuar a alargar os leitores da Sagrada Escritura.

O primeiro volume, que reúne os quatro Evangelhos do Novo Testamento, publicado em setembro, tinha vendido em fevereiro mais de 20 mil exemplares, alcançando «muitas pessoas que normalmente não leriam a Bíblia», declara o autor em entrevista publicada hoje no Diário de Notícias.

A tradução chegou «a agnósticos e ateus, que empreenderam a leitura por saberem que é uma tradução académica em vez de católica ou protestante e que pretende abordar a Bíblia sob uma perspetiva histórica e não dogmática ou teológica», acrescentou.

«O ideal seria ler a Bíblia no original e não na tradução. Nenhuma tradução pode dar a dimensão exata daquilo que está no texto original, quer grego quer hebraico. É pena as pessoas pensarem que o estudo do grego e do hebraico é algo que é só para biblistas. Eu acho que todos os cristãos deviam ter alguma noção das línguas em que foi escrita a sua Escritura», acentua o Prémio Pessoa 2016.

Depois de evocar «o apoio de todos os autores, comentaristas e estudiosos da Bíblia» que tem vindo a estudar, Frederico Lourenço afirma que se sente «a participar num longo processo de dar a conhecer o texto da Bíblia», o que não significa "facilitar" a leitura para chegar a uma audiência mais ampla.



Frederico Lourenço revela que redescobriu as cartas paulinas, de que não era «muito simpatizante»: «Agora o texto de Paulo é aquele a que mais volto. É um texto fascinante do ponto de vista espiritual, intelectual e filosófico».



«Não facilito rigorosamente nada. A única facilidade foi a opção de transliterar as palavras gregas e, no caso do Antigo Testamento, as hebraicas, porque não coloco nada em carateres gregos ou hebraicos. De resto, fiz tudo com o rigor de um trabalho académico, que é como considero que devo agir, enquanto professor universitário que sou», aponta.

Depois de sublinhar que «é normal» os historiadores e linguistas não fazerem «a mesma leitura da Bíblia que farão os teólogos católicos e protestantes», Frederico Lourenço revela que redescobriu as cartas paulinas, de que não era «muito simpatizante»: «Agora o texto de Paulo é aquele a que mais volto. É um texto fascinante do ponto de vista espiritual, intelectual e filosófico».

O segundo volume da tradução compreende os Atos dos Apóstolos, as Epístolas de São Paulo, os textos de Tiago, João, Judas e Pedro, bem como o Apocalipse, último livro a aparecer nas traduções da Bíblia.

A editora anunciou que no outono será publicado o terceiro volume, "Antigo Testamento: Os Livros Proféticos", seguindo-se "Antigo Testamento: Os Livros Sapienciais", com Salmos, Odes, Provérbios, Eclesiastes, Cântico, Job e Sabedoria.

O quinto volume, "Antigo Testamento: Os Livros Históricos", terá os textos de Juízes, Josué, Reis, Samuel, Crónicas, Esdras, Ester, Judite, Macabeus, enquanto que o último, "Antigo Testamento: Os Livros da Lei", abrange os cinco primeiros livros bíblicos na ordem de publicação, Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio, conjunto conhecido por Pentateuco. A publicação da coleção deverá estar concluída em 2019.

Ficcionista, ensaísta, poeta e tradutor, Frederico Lourenço nasceu em Lisboa, em 1963, e é professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Doutorado com uma tese sobre Eurípides, traduziu a "Ilíada" e a "Odisseia", de Homero, bem como um volume de poesia grega, duas tragédias de Eurípides e peças de Schiller e Arthur Schnitzler. 



 

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