Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Bíblia, Cristo e a «verdade» são prioritários na comunicação da Igreja, afirma presidente do Pontifício Conselho da Cultura

Imagem Card. Gianfranco Ravasi | Universidade Católica, Lisboa, 29.5.2015 | SNPC/rjm | D.R.

Bíblia, Cristo e a «verdade» são prioritários na comunicação da Igreja, afirma presidente do Pontifício Conselho da Cultura

O presidente do Pontifício Conselho da Cultura, o cardeal Gianfranco Ravasi, sublinhou hoje, em Lisboa, que a Bíblia, Jesus Cristo e a «verdade» constituem as "manchetes" a que a Igreja católica deve dar prioridade.

«Devemos comunicar a raiz da nossa fé, que é, indubitavelmente, a palavra, a Bíblia», sobretudo num tempo «em que já não se recorda o passado», vincou o biblista italiano na conferência “Parábolas mediáticas e parábolas evangélicas – Comunicar a fé no tempo da internet”, que decorreu na Universidade Católica.

Depois de sublinhar que «a Bíblia tem uma extraordinária potencialidade cultural, e não apenas religiosa», o prelado observou que a Igreja deve regressar à «gloriosa herança» da Escritura, que é feita de «símbolos, figuras, narrações, temas fundamentais», ou seja, deve voltar «à transcendência, ao mistério de Deus, ao mistério da existência».

Para Ravasi, é necessário recuperar a leitura bíblica de questões primordiais do ser humano, como a coexistência do mal e de Deus, tema sugerido no livro de Job, ou o que se refere ao «amor» e à «atração sexual», que o Cântico dos Cânticos manifesta numa linguagem que traduz o "eros" em «poesia, sentimento, fantasia, beleza» e «ternura».

A comunicação eclesial deve também «regressar ao essencial» que «é Cristo», apontou o cardeal, que lembrou a atração que Jesus exerce sobre escritores não crentes, como Jorge Luis Borges, autor por quem Ravasi manifestou particular estima.

«Cristo na cruz. Os pés tocam a terra./ Os três madeiros são de igual altura./ Cristo não está no meio. É o terceiro./ A negra barba pende sobre o peito./ O rosto não é o rosto das gravuras./ É áspero e judeu. Não o vejo/ e continuarei a procurá-lo até ao dia/ último dos meus passos pela terra», versos do poema "Cristo na cruz", do poeta argentino citados pelo cardeal.

Também o checo Franz Kafka, que considerou Cristo «um abismo de luz dentro do qual é preciso fechar os olhos para não cair», e o romeno Eugen Ionescu, que esperava que Deus lhe telefonasse, «ou pelo menos um dos seus anjos secretários», e que na última linha do seu diário escreveu «Rezar o não sei quem. Espero. Jesus Cristo», foram igualmente lembrados como não crentes para quem Jesus foi uma referência.

A «verdade» constitui também elemento fundamental na comunicação da Igreja, assinalou Ravasi, sobretudo quando o conceito hoje dominante preconiza que ela é «tendencialmente subjetiva» e sujeita aos interesses de quem exerce a autoridade.

«A verdade não é um objeto que conquisto, que tenho na mão e meto no bolso, mas transcende-nos», e é por isso que deve ser buscada, porque, como o filósofo grego Sócrates advogava, «uma vida sem procura não merece ser vivida», e nesse sentido a «pergunta» e a «inquietação» são inerentes à existência humana.

Contrariando a convicção de que «cada um decide o que é bem e o que é mal», a comunicação da fé implica que a Igreja ecoe as palavras do poeta e teólogo espanhol Frei Luís de León, «em Deus, quanto mais se navega, mais mares novos se descobrem», salientou o prelado.

Nesta sexta-feira Gianfranco Ravasi recebe, também na Universidade Católica, em Lisboa, o doutoramento "Honoris Causa", o que o levou a comentar que gostaria de regressar ao país, agora que vai ser um pouco mais português, além de «aluno» da instituição.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 29.01.2015

 

 
Imagem Card. Gianfranco Ravasi | Universidade Católica, Lisboa, 29.5.2015 | SNPC/rjm | D.R.
A comunicação eclesial deve também «regressar ao essencial» que «é Cristo», apontou o cardeal, que lembrou a atração que Jesus exerce sobre escritores não crentes, como Jorge Luis Borges, autor por quem Ravasi manifestou particular estima
A verdade não é um objeto que conquisto, que tenho na mão e meto no bolso, mas transcende-nos», e é por isso que deve ser buscada, porque «uma vida sem procura não merece ser vivida»
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Evangelho
Vídeos