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Beleza, infinito, arte, literatura: D. José Tolentino Mendonça fala das novas missões no Vaticano

«Precisamos de infinito, nem que seja de um fragmento de infinito. A história humana é também a história da procura da beleza. Jesus, quando desafiou os discípulos a olharem os lírios do campo, mostrou isso bem», considera o arcebispo D. José Tolentino Mendonça.

Este sábado, primeiro de setembro, em que toma posse como responsável da Biblioteca Apostólica e do Arquivo do Vaticano, o jornal “Público” apresenta uma entrevista ao prelado, que fala do infinito, da arte, da literatura e da relação que a Igreja tem com esses alfabetos de Deus.

«A procura da beleza continua na contemporaneidade, com novas linguagens, formas, gramáticas. É a mesma fome a inquietar o coração humano. A Igreja tem de reforçar o seu diálogo com as artes, o pensamento e a cultura contemporânea. Ela não é gestora de um passado remoto, descontinuado. Ela tem a missão de inscrever-se no presente, de uma forma serena e criativa», assinala.

Em entrevista ao jornalista António Marujo, o primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura sublinha que a «literatura outra coisa não é do que uma fantástica concha acústica», onde se pode «reencontrar a interminável conversa que os seres humanos mantêm».



Em meados do século XV o papa Nicolau V definia que a Biblioteca do Vaticano tem como propósito assistir «a comum utilidade dos homens de ciência», finalidade que continuou pelos séculos, até hoje



«Que o silêncio das bibliotecas outra coisa, na verdade, não é do que um impressionante coral com milhões de vozes que atravessam os tempos, cuja audição nos avizinha do inesgotável e fascinante mistério da vida», assinala o arcebispo, que escolheu como moto episcopal o convite lançado por Jesus «olhai os lírios do campo».

Desde o seu início a Biblioteca é um espaço aberto a pessoas e saberes, como se comprova pela existência de livros de literatura profana e ciências, como astronomia, medicina, matemática, ultrapassando os tradicionais limites, comuns ao tempo, da teologia e direito.

D. Tolentino Mendonça recorda que em meados do século XV o papa Nicolau V definia que a Biblioteca do Vaticano tem como propósito assistir «a comum utilidade dos homens de ciência», finalidade que continuou pelos séculos, até hoje, no serviço aos cerca de dois mil investigadores que investigam anualmente na instituição e no Arquivo.

Após a tomada de posse, em sessão privada, o novo arcebispo voa para a Sicília, onde profere uma intervenção sobre as Bem-aventuranças na vida atual da Igreja e é distinguido com um prémio atribuído pelo jornal “Avvenire”, dos bispos italianos.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Público
Imagem: D. José Tolentino Mendonça | © Arlindo Homem
Publicado em 01.09.2018

 

 

 
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