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Ausência do pai na vida de crianças e jovens é causa de «feridas» que podem ser «muito graves», alerta papa Francisco

Imagem Papa Francisco | Vaticano, 25.1.2015 | REUTERS/Tony Gentile | D.R.

Ausência do pai na vida de crianças e jovens é causa de «feridas» que podem ser «muito graves», alerta papa Francisco

O papa Francisco alertou hoje, no Vaticano, para os danos profundos que a ausência do pai pode causar na infância e adolescência dos filhos, e chamou a atenção para os perigos de se negligenciar a educação dos mais novos através do exemplo, das palavras e da transmissão de valores.

«Quero dizer a toda a comunidade cristã que devemos estar muito mais atentos: a ausência da figura paterna na vida das crianças e dos jovens produz lacunas e feridas que podem ser também muito graves», afirmou na audiência geral semanal.

Prosseguindo as catequeses dedicadas à família, Francisco sublinhou que os comportamentos desviantes na infância e juventude podem «em boa parte» ser referidos à «falta de exemplos e de guias autorizados» na vida diária.

A palavra “pai” ‘indica uma relação fundamental» que é «tão antiga como a história do homem», mas hoje chega-se ao ponto de afirmar que se está numa «sociedade sem pais»: «Em particular na cultura ocidental, a figura do pai estaria simbolicamente ausente, desaparecida, eliminada».

«Num primeiro momento, isso foi percecionado como uma libertação» do pai enquanto chefe, ou «representante da lei que se impõe do exterior», ou, ainda, «do pai como censor da felicidade dos filhos e obstáculo à emancipação e à autonomia dos jovens», apontou.

Por vezes, prosseguiu Francisco, «reinava no passado o autoritarismo», com os pais «que tratavam os filhos como criados, não respeitando as exigências pessoais do seu crescimento» e que «não os ajudavam a empreender o seu caminho com liberdade, a assumir as próprias responsabilidades para construir o seu futuro e do da sociedade».

Hoje, a situação inverteu-se: «Como acontece frequentemente, passámos de um extremo ao outro. O problema dos nossos dias parece ter deixado de ser a presença invasora dos pais, mas sobretudo a sua ausência».

«Os pais estão por vezes tão concentrados sobre si mesmos e sobre o próprio trabalho, e sobre a sua própria realização individual, que esquecem até a família. E deixam sós as crianças e os jovens. Já quando era bispo de Buenos Aires me apercebia do sentido de orfandade que vivem hoje os jovens», assinalou.

Os filhos são órfãos porque, segundo Francisco, «os pais estão muitas vezes ausentes de casa, mesmo fisicamente, mas sobretudo porque quando lá estão não se comportam como pais, não cumprem a sua tarefa educativa, não dão aos filhos, com o seu exemplo acompanhado por palavras, aqueles princípios, aqueles valores, aquelas regras de vida de que precisam como pão».

«A qualidade educativa da presença paterna é tanto mais necessária quanto mais o pai é obrigado, pelo trabalho, a estar longe de casa. Às vezes parece que os pais não sabem bem que lugar ocupar na família e como educar os filhos. E então, na dúvida, abstêm-se, retiram-se e negligenciam as suas responsabilidades», referiu.

A tarefa de acompanhar o crescimento não pertence exclusivamente à família, acentuou o papa: «Também a comunidade civil, com as suas instituições, tem uma responsabilidade – podemos dizer paterna – com os jovens, uma responsabilidade que às vezes ignora ou exercita mal».

«Os jovens permanecem, assim, órfãos de caminhos seguros a percorrer, órfãos de mestres em quem se confiar, órfãos de ideais que aquecem o coração, órfãos de valores e de esperanças que os sustenham quotidianamente», apontou.

Este desamparo implica consequências na vida dos jovens, que «estão provavelmente repletos de ídolos mas rouba-se-lhes o coração; são levados a sonhar divertimentos e prazeres mas não se lhes dá o trabalho; são iludidos com o deus dinheiro e negam-se-lhes as verdadeiras riquezas».

«Fará bem a todos, aos pais e aos filhos, tornar a escutar a promessa que Jesus fez aos seus discípulos: “Não vos deixarei órfãos”. É Ele, com efeito, o caminho a percorrer, o mestre a escutar, a esperança de que o mundo pode mudar, que o amor vence o ódio, que pode haver um futuro de fraternidade e de paz para todos», disse Francisco.

Na audiência geral da próxima quarta-feira o papa destacará «a beleza da paternidade e da maternidade, a beleza de ser pais».

Na saudação aos peregrinos italianos, o papa recordou a figura de S. Tomás de Aquino, que a Igreja evoca esta quarta-feira, 28 de janeiro.

«A sua dedicação favoreça em vós o compromisso da inteligência e da vontade ao serviço do Evangelho; a sua fé vos ajude, queridos doentes, a dirigirem-se ao Senhor mesmo na provação; e a sua mansidão indique a vós, queridos novos esposos, o estilo das relações entre os cônjuges no interior da família», referiu.

Nas palavras aos fiéis de língua portuguesa, Francisco rezou «por todas as famílias, especialmente por aquelas que passam por dificuldades, na certeza de que elas são um dom de Deus» nas comunidades cristãs.

No fim da audiência, o papa assistiu a uma exibição de artistas do Circo Medrano.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 28.01.2015

 

 
Imagem Papa Francisco | Vaticano, 25.1.2015 | REUTERS/Tony Gentile | D.R.
Os pais estão por vezes tão concentrados sobre si mesmos e sobre o próprio trabalho, e sobre a sua própria realização individual, que esquecem até a família. E deixam sós as crianças e os jovens
A qualidade educativa da presença paterna é tanto mais necessária quanto mais o pai é obrigado, pelo trabalho, a estar longe de casa. Às vezes parece que os pais não sabem bem que lugar ocupar na família e como educar os filhos
Os jovens estão provavelmente repletos de ídolos mas rouba-se-lhes o coração; são levados a sonhar divertimentos e prazeres mas não se lhes dá o trabalho; são iludidos com o deus dinheiro e negam-se-lhes as verdadeiras riquezas
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