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Átrio dos Gentios nasceu há cinco anos

Imagem D.R.

Átrio dos Gentios nasceu há cinco anos

O Átrio dos Gentios, plataforma da Santa Sé para o diálogo entre crentes e não crentes, assinala cinco anos de vida neste domingo, 21 de dezembro, dia em que no ano de 2009 o papa emérito Bento XVI lançou as bases deste organismo, integrado no Pontifício Conselho da Cultura.

«Considero importante sobretudo o facto de as pessoas que se consideram agnósticas ou ateias deverem também estar-nos a peito a nós como crentes. Quando falamos de uma nova evangelização, talvez estas pessoas se assustem. Não se querem ver objeto de missão, nem renunciar à sua liberdade de pensamento e de vontade. E todavia a questão acerca de Deus permanece em aberto também para elas, mesmo se não conseguem acreditar no carácter concreto da sua solicitude por nós», afirmou Bento XVI no discurso à Cúria Romana para a apresentação dos votos de Natal.

«Como primeiro passo da evangelização, devemos procurar manter despertada esta busca; devemos preocupar-nos por que o homem não ponha de lado a questão acerca de Deus deixando de a considerar como questão essencial da sua existência. Preocupar-nos por que ele aceite esta questão e a nostalgia que nela se esconde», frisou o papa emérito.

Bento XVI prosseguiu o discurso referindo-se a Jesus, que no Evangelho segundo Marcos cita o profeta Isaías quando acentua que o templo de Jerusalém «deveria ser uma casa de oração para todos os povos».

«Estava Ele a pensar no chamado átrio dos gentios, que acabava de esvaziar de negócios externos a fim de o espaço ficar livre para os gentios que ali queriam rezar ao único Deus, embora sem poder participar no mistério, para cujo serviço estava reservado o interior do templo. Espaço de oração para todos os povos: ao dizê-lo, Jesus pensava em pessoas que conhecem Deus, por assim dizer, só de longe; que estão insatisfeitas com os seus deuses, ritos e mitos; que desejam o Puro e o Grande, mesmo se Deus permanece para eles o "Deus desconhecido". Também elas deviam poder rezar ao Deus desconhecido e assim estar em relação com o Deus verdadeiro, embora no meio de escuridão de vário género», assinalou o papa emérito.

«Penso que a Igreja deveria também hoje abrir uma espécie de "átrio dos gentios", onde os homens pudessem de qualquer modo agarrar-se a Deus, sem o conhecer e antes de terem encontrado o acesso ao seu mistério, a cujo serviço está a vida interna da Igreja. Ao diálogo com as religiões deve acrescentar-se hoje sobretudo o diálogo com aquelas pessoas para quem a religião é uma realidade estranha, para quem Deus é desconhecido, e contudo a sua vontade não é permanecer simplesmente sem Deus, mas aproximar-se dele pelo menos como Desconhecido», declarou Bento XVI.

A 22 de março de 2013, poucos dias após a eleição, o papa Francisco acentuou a necessidade de «intensificar o diálogo entre as diversas religiões», sobretudo com o islão, sendo também «importante intensificar o diálogo com os não crentes, para que jamais prevaleçam as diferenças que separam e ferem, mas, embora na diversidade, triunfe o desejo de construir verdadeiros laços de amizade entre todos os povos».

E no n.º 257 da sua primeira exortação apostólica, “A alegria do Evangelho”, o papa Francisco declara: «Como crentes, sentimo-nos próximo também de todos aqueles que, não se reconhecendo parte de qualquer tradição religiosa, buscam sinceramente a verdade, a bondade e a beleza, que, para nós, têm a sua máxima expressão e a sua fonte em Deus. Sentimo-los como preciosos aliados no compromisso pela defesa da dignidade humana, na construção duma convivência pacífica entre os povos e na guarda da criação».

«Um espaço peculiar é o dos chamados novos “Areópagos”, como o “Átrio dos Gentios”, onde “crentes e não-crentes podem dialogar sobre os temas fundamentais da ética, da arte e da ciência, e sobre a busca da transcendência”. Também este é um caminho de paz para o nosso mundo ferido», sublinha.

O Átrio dos Gentios assume-se como «um espaço de encontro e diálogo que se organiza (estrutura) sob a forma de eventos em diversas cidades do mundo e no espaço virtual da internet e das redes sociais», lê-se na página da plataforma.

«O diálogo físico é organizado em lugares simbólicos para favorecer o encontro e o diálogo entre crentes e não crentes sobre vários temas, como: a ética, a legalidade, a ciência, a fé, a arte, etc.», refere a página.

Os encontros são programados «como duetos (crentes-não crentes) entre várias personalidades de destaque das culturas laicas e católicas pertencentes ao mundo do jornalismo, da religião, da política, da universidade».

A imagem do Átrio dos Gentios, como Bento XVI inicialmente mencionou, tem como referência o templo de Jerusalém: «Além das áreas reservadas aos membros do povo de Israel, foi predisposto, no interior do templo, um espaço reservado aos não judeus, os “gentios” que desejavam aproximar-se do espaço sagrado e interrogar rabinos e mestre da lei sobre questões de espiritualidade, mistério, religião e Deus».

O Átrio dos Gentios era um «espaço que todos podiam atravessar sem distinções de cultura, língua ou credo religioso, onde era possível interrogar-se sobre grandes questões da vida e da sociedade e assim aproximar-se do “Deus Desconhecido”».

Uma das sessões do Átrio dos Gentios foi realizada em Guimarães e Braga nos dias 16 e 17 de novembro de 2012, dedicada ao tema “O valor da vida”.

Em 2014, realizaram-se vários encontros em Itália, bem como nos Estados Unidos (sobre “democracia, religião e secularismo”) e, o mais recente, na Argentina (“responsabilidade social, Borges e a transcendência”).

Máfia, emprego para os jovens, fim da vida, consciência e tempo foram algumas das questões debatidas este ano nos encontros realizados em Itália, a que se juntaram iniciativas específicas para estudantes e crianças.

Para 2015 está agendado o evento “A praça e o tempo”, a realizar em Roma a 6 de março, com as intervenções de Giuliano Amato, ex-primeiro-ministro de Itália e presidente da Fundação Átrio dos Gentios, e do filósofo canadiano Charles Taylor, entre outras personalidades.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 19.12.2014

 

 

 
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Penso que a Igreja deveria também hoje abrir uma espécie de "átrio dos gentios", onde os homens pudessem de qualquer modo agarrar-se a Deus, sem o conhecer e antes de terem encontrado o acesso ao seu mistério, a cujo serviço está a vida interna da Igreja
Como crentes, sentimo-nos próximo também de todos aqueles que, não se reconhecendo parte de qualquer tradição religiosa, buscam sinceramente a verdade, a bondade e a beleza, que, para nós, têm a sua máxima expressão e a sua fonte em Deus
O Átrio dos Gentios era, no templo de Jerusalém, um «espaço que todos podiam atravessar sem distinções de cultura, língua ou credo religioso, onde era possível interrogar-se sobre grandes questões da vida e da sociedade e assim aproximar-se do “Deus Desconhecido”
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