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"Átrio de Francisco" reúne artistas, políticos e intelectuais em Assis

Imagem Assis, Itália | Basílica de S. Francisco | © Andrea Izzotti/Fotolia

"Átrio de Francisco" reúne artistas, políticos e intelectuais em Assis

A cidade italiana de Assis recebe de 23 a 27 de setembro o "Átrio de Francisco", iniciativa de encontro e diálogo em que intervêm 90 personalidades da política e sociedade civil, artistas e intelectuais, revela o serviço de informação do Vaticano.

O projeto, congregado sobre o tema "Humanidade", inspira-se no Átrio dos Gentios, projeto do Pontifício Conselho da Cultura que promove o diálogo entre crentes e não crentes através de debates e eventos culturais em vários países do mundo, como já aconteceu em Portugal.

Na conferência de imprensa de apresentação do "Átrio de Francisco", que decorreu hoje, no Vaticano, o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho da Cultura, explicou que o programa pretende «ir mais além das diferenças de fé, de ideias, de comportamentos e de pertenças políticas e sociais».

Entre os participantes incluem-se o sociólogo polaco Zygmunt Bauman, o diretor do Museu do Bardo, em Tunes - perto do qual, em março, um atentado causou mais de 20 mortos -, Moncef Ben Moussa, o arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o fotógrafo italiano Oliviero Toscani e o filósofo italiano Massimo Cacciari.

O encontro, que conta com a intervenção de quatro ministras, congrega «o diálogo e a discussão, mas também o reconhecimento e o espanto do que o outro é, pensa e vive. Esta é a alma inspiradora do "Átrio de Francisco", realçou o custódio do Convento de Assis, padre Mauro Gambetti.

«No centro do evento dominará a palavra humanidade no seu duplo valor. De um lado, ela recorda-nos que todos nós somos filhos de Adão, e por isso membros da mesma família, ligados por uma fraternidade comum entre nós e com a Terra que nos hospeda e nos alimenta», apontou o cardeal Ravasi antes da apresentação aos jornalistas.

Por outro lado, a humanidade, enquanto entendida «em sentido metafórico significa caridade, misericórdia, compaixão, ternura», virtudes que devem «brilhar de novo com vista ao conviver em serenidade, um ao lado do outro», acrescentou.

«Em Assis, no "Átrio de Francisco", podemos reencontrar a harmonia na diversidade. Francisco [que nasceu na mesma cidade] quis, a todo o custo, encontrar o outro, fosse quem fosse. É com este espírito que nos preparamos para acolher os muitos horizontes diferentes», declarou o diretor da Sala de Imprensa do convento de Assis, padre Enzo Fortunato.

A agenda compreende o debate de temas relacionados com a arte, «que têm a função não de representar a realidade em si, mas o sentido da realidade, o invisível que está no visível», indo «além da superfície», assinalou o cardeal Ravasi.

«A vulnerabilidade dos migrantes», as relações entre Ocidente e Islão, a arte medieval, energias tradicionais e alternativas, "arquitetura e luz", "o cinema como intensificação do humano", "a representação dos sentimentos", "eu sou o Museu do Bardo. Eu sou Palmira. Nós somos humanidade", "economia e bem comum", "conceção bíblica do humano", "trabalho e humanidade", "ecologia integral", "Marc Chagall e a Bíblia", justiça, "domínio da técnica", o mal, narrativas de territórios de guerra, "a alma é fotografável?", "Marc Chagall e a Bíblia" e "redes sociais" são algumas das questões em debate, num programa que inclui oficinas, concertos, exposições, visitas guiadas e atividades dirigidas a crianças.

Além de intervir no encontro, Olivero Toscani vai fotografar quem estiver em Assis: «E se S. Francisco passar, também o fotografarei. Não se disse que ele não vai lá. Em todo o caso, talvez consigamos fotografar o espírito de S. Francisco, espero».

Depois de 2012, esta é a segunda vez que Assis recebe um encontro ligado ao Átrio dos Gentios, plataforma que na quinta-feira organiza, em Roma, uma sessão dedicada ao tema "Os deveres da medicina. Os direitos do doente", com a participação do presidente do Senado, Pietro Grasso, da ministra da Saúde, Beatrice Lorenzin e do cardeal Gianfranco Ravasi.

Na iniciativa intervêm também membros da Comissão Científica da Fundação Átrio dos Gentios, que, com a colaboração de peritos externos, redigiram uma proposta sobre «a delicadíssima relação entre médico e doente», texto que vai ser apresentado na ocasião.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 14.09.2015

 

 

 
Imagem Assis, Itália | Basílica de S. Francisco | © Andrea Izzotti/Fotolia
A humanidade, enquanto entendida «em sentido metafórico significa caridade, misericórdia, compaixão, ternura», virtudes que devem brilhar de novo com vista ao conviver em serenidade, um ao lado do outro
Em Assis, no "Átrio de Francisco", podemos reencontrar a harmonia na diversidade. Francisco quis, a todo o custo, encontrar o outro, fosse quem fosse. É com este espírito que nos preparamos para acolher os muitos horizontes diferentes
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