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Ator Roberto Benigni apresentou livro “O nome de Deus é misericórdia”, do papa Francisco

Imagem Roberto Benigni | D.R.

Ator Roberto Benigni apresentou livro “O nome de Deus é misericórdia”, do papa Francisco

«É um livro belíssimo que nos “misericordia”». Um livro a «levar no bolso», a «ler em cinco minutos, quando o comboio está atrasado»: estas foram algumas das (muitas) palavras que o ator e realizador italiano Roberto Benigni proferiu em Roma aquando da apresentação do livro do papa Francisco “O nome de Deus é Misericórdia – Uma conversa com Andrea Tornielli”.

Na sessão, que decorreu na terça-feira, o cómico disse-se emocionado por estar presente «no Estado mais pequeno do mundo com o maior homem do mundo». «Não se pode falar moderadamente do papa. É um revolucionário, é maravilhoso. Fiz tudo para o ver», disse de Francisco, que durante a última homilia de 2014 citou Roberto Benigni, que apresentava então “Os Dez Mandamentos” na televisão, sem o nomear mas definindo-o como «um grande artista italiano».

A intervenção de Benigni foi vulcânica e divertida, como é o seu estilo. «Só ao papa Francisco podia vir à cabeça apresentar um livro com um cardeal de Véneto, um recluso chinês e um cómico toscano», apontou, referindo-se às pessoas que intervieram antes dele: o cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, e o recluso chinês Zhang Agostino Jianqing».

«Quando eu era pequeno queria fazer de sacerdote», contou o autor. «Quando na escola me perguntavam “o que queres ser quando fores crescido?”, respondia “ser papa”. Todos se punham a rir, e então compreendi que devia ser cómico», disse, provocando o riso entre o público presente.

O papa Francisco «está tão cheio de misericórdia que a poderia vender a peso. Queres 100 gramas de misericórdia? Ele dá-tas…», assinalou Benigni. «O coração do ministério de Francisco é precisamente a misericórdia.»

Francisco «encontra a misericórdia na dor porque a dor é mais forte que o mal, o sofrimento é a única força superior ao mal. “divinum est pati”. Sem dor, a vida seria enigmática, a alegria inacessível», acrescentou.

«A misericórdia é a maior justiça, não a extingue, não a corrompe, não a abole», salientou o cineasta, que citou as primeiras palavras do Salmo 51(50) - «tem compaixão de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia», que o «comove sempre».

O realizador e protagonista de “A vida é bela” mostrou-se convicto de que o papa, que «é como uma cascata de misericórdia», está a conduzir a Igreja para um lugar «esquecido: o cristianismo». O seu mapa é a «misericórdia»: «Um desafio social, político. Vai procurar a misericórdia entre os últimos dos últimos».

No livro, já publicado em Portugal pela editora Planeta, «diz-se que cada ato de misericórdia é uma ressurreição e cada ato de ódio é um ato de morte», continuou Benigni, para quem «a alegria é o gigantesco segredo do cristianismo. É o elemento constitutivo. Quem sofreu sem perder a alegria cristã está muitíssimo próximo do Senhor».

Antes, o público ouviu o testemunho de como as palavras do papa foram ouvidas por quem passou parte da vida atrás da cela de uma prisão.

«Tenho 30 anos e venho da China, mais precisamente de Zhe Jiang. Pode parecer estranho que um chinês tenha o nome de Agostinho, mas mais adiante percebereis porquê», afirmou Zhang Agostino Jianquing.

«A minha família, de tradição budista, é uma família de pessoas corajosas que na sua vida se comportaram sempre bem e trabalharam quer na China quer na Itália. Em 1997, com 12 anos, cheguei a Itália com o meu pai, a minha mãe estava na Itália há já dois anos. Passaram 18 anos desde esse 1998, a maior parte dos quais passados na prisão, estou sempre na prisão».

A escola, que frequentou durante algum tempo, aborrecia-o, e por isso faltava às aulas, sem o conhecimento dos pais, com quem começou a discutir por estes não lhe darem dinheiro para se divertir. Com 16 anos inventou a desculpa de estar a trabalhar longe de casa para, assim poder passar fora as noites, na diversão. «E assim, com 19 anos, dei entrada na prisão pela segunda vez, com uma condenação de 20 anos».

«Dentro de mim emergia o desejo de mudar para melhor, para não fazer sofrer mais a minha querida mãe. Nascia em mim o desejo de que este sofrimento se pudesse transformar em felicidade», contou ao recordar os dias passados em reclusão.

O motivo do nome Agostino? «Agostinho porque, pensando em Santo Agostinho, na sua história, comoveu-me particularmente a sua santa mãe, Mónica, por todas as lágrimas que derramou pelo seu filho, esperando reencontrar o filho perdido. É um pouco como a minha situação, pensando na minha mãe e no rio de lágrimas que derramou por mim, esperando que eu pudesse reencontrar o sentido da vida».

Em 2007 foi transferido para a prisão de Pádua. «A primeira pessoa que encontrei foi um compatriota, Je Wu, depois Andrea [André]. Um detido chinês como eu que tinha começado a trabalhar na prisão em Pádua e que me foi próximo e me ajudou. Poucos meses após ter chegado, comecei, também eu, a trabalhar com a cooperativa social Giotto».

O amigo tomou então a decisão de se tornar cristão e de pedir o Batismo. «Ver acontecer estas coisas, trabalhar com estas pessoas fez-me surgir a pergunta e o desejo de também eu ser feliz como eles».

«[Escutando o Evangelho,] dentro de mim emergia uma alegria que nunca tinha experimentado. Não via a hora de que fosse domingo. Mas este desejo era de todos os dias, por isso decidi participar com alguns amigos detidos e da cooperativa num momento semanal de encontro para poder partilhar e amar melhor a minha vida. Este caminho fez nascer o desejo de me tornar cristão», testemunhou.

No dia 11 de abril de 2015 Zhang Agostino foi batizado, crismado e recebeu a primeira comunhão: «Ainda que pudesse ter obtido a permissão do juiz para os celebrar fora da prisão, escolhi recebê-los na prisão e com os amigos que Jesus me veio encontrar e onde eu encontrei Jesus».

Por fim, um agradecimento a Francisco: «Pela atenção particular que tem connosco, presos. Nunca pensei que seria convidado a participar na apresentação de um livro do papa, nem de ter a possibilidade de apertar a sua mão, como aconteceu hoje».

«Estou aqui, com a minha história, a testemunhar como a misericórdia de Deus mudou a minha vida», concluiu.

 

Domenico Agasso Jr
In "Vatican Insider"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 14.01.2016

 

 

 
Imagem Roberto Benigni | D.R.
«A misericórdia é a maior justiça, não a extingue, não a corrompe, não a abole», salientou o cineasta, que citou as primeiras palavras do Salmo 51(50) - «tem compaixão de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia», que o «comove sempre»
«Agostinho porque, pensando em Santo Agostinho, na sua história, comoveu-me particularmente a sua santa mãe, Mónica, por todas as lágrimas que derramou pelo seu filho, esperando reencontrar o filho perdido. É um pouco como a minha situação, pensando na minha mãe e no rio de lágrimas que derramou por mim, esperando que eu pudesse reencontrar o sentido da vida»
No dia 11 de abril de 2015 Zhang Agostino foi batizado, crismado e recebeu a primeira comunhão: «Ainda que pudesse ter obtido a permissão do juiz para os celebrar fora da prisão, escolhi recebê-los na prisão e com os amigos que Jesus me veio encontrar e onde eu encontrei Jesus»
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