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Ascensão: Tão longe e tão próximo

Ascensão: Tão longe e tão próximo

Imagem Ascensão (det.) | Eric Gill | 1918

O último encontro de Jesus com os seus (Mateus 28, 16-20) é sobre um monte na Galileia, a terra onde tudo tinha começado. Os montes são como dedos apontados para o infinito, a terra que se adentra no céu, banquinho para os pés de Deus, morada da revelação da luz: sobre os montes, com efeito, pousa o primeiro raio de sol e se demora o último.

Quando o viram, prostraram-se. Todavia duvidaram. Jesus deixa a Terra com um balanço deficitário: só ficaram 11 homens amedrontados e confusos e um pequeno núcleo de mulheres tenazes e corajosas. Seguiram-no durante três anos pelas estradas da Palestina, não compreenderam muito mas amaram-no muito, e foram todos ao encontro na última montanha.

E esta é a única garantia de que Jesus precisa. Agora pode voltar ao Pai, seguro de ser amado, ainda que nem de todo compreendido, e sabe que nenhum deles o esquecerá.

Jesus realiza um ato de amor, ilógica confiança em homens que continuam a duvidar, não fica a explicar e a voltar a explicar. O Evangelho e o mundo novo, que sonharam juntos, confia-os à sua fragilidade, e não à inteligência dos primeiros da aula: é a lei do grão de mostarda, da pitada de sal, dos pequenos que podem ser fermento e talvez até fogo, para contagiar de Evangelho e de nascimentos aqueles que encontrarem.

Há uma passagem surpreendente nas palavras de Jesus: a mim foi dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois. Este "pois" é belíssimo: para Jesus é óbvio que cada coisa que é sua é também nossa. Tudo é para nós: a sua vida, a sua morte, a sua força. Ide, pois. Fazei discípulos todos os povos... Com que propósito? Alistar devotos, fazer crescer o movimento com novos adeptos? Não, mas para um contágio, uma epidemia divina a derramar sobre a Terra. Ide, perfumai de céu a vida que encontrardes, ensinai a arte de viver, assim como vistes fazer a mim, mostrai-lhes o quanto são belos e grandes.

E depois as últimas palavras, o seu testamento: Eu estou convosco, todos os dias, até ao fim do mundo; convosco, sempre, até ao fim.

É destas palavras que compreendemos o que é a ascensão. Não foi para longe ou para o alto, para qualquer canto remoto do cosmo, mas fez-se mais próximo do que antes. Se antes estava junto dos discípulos, agora estará dentro deles. Não foi para além das nuvens mas para além das formas. Ascendeu ao profundo das coisas, no íntimo do criado e das criaturas, e de dentro impulsiona como força ascensional para uma vida mais luminosa.

Esse Jesus que tomou para si a cruz para me oferecer em cada meu sofrer centelhas de ressurreição, para abrir brechas nos muros das minhas prisões, é Ele o meu Deus perito em evasões!



 

Ermes Ronchi
In "Avvenire"
Trad.: SNPC
Publicado em 26.05.2017 | Atualizado em 29.04.2023

 

 
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