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Ascensão: Deus entra no coração da tua vida

Imagem Desmaterialização - Ascensão (det.) | Eduardo Nery | 1990 | D.R.

Ascensão: Deus entra no coração da tua vida

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus. (Evangelho do Domingo da Ascensão, Lucas 24, 46-53)

Ascensão, à procura com Cristo de uma interseção entre Terra e Céu, de uma fissura aberta sobre o que está para além, sobre aquilo que dura para lá do declinar do dia: saber que o nosso amar não é inútil, mas será recolhido gota a gota e vivido para sempre; que o nosso lutar não é inútil; que não será perdido nenhum generoso cansaço, nenhuma dolorosa paciência.

O Evangelho coloca-nos num ponto instável entre Céu e Terra, numa permanente ascensão, impelindo para a frente e para o alto. «Todo o caminho espiritual se resume em crescer para maior consciência, maior liberdade e maior amor. Melhor, toda a existência do cosmo, dos cristais aos animais, se encaminha ao longo destas três diretrizes profundas: mais consciência, mais amor, mais liberdade» (Giovanni Vannucci).

Observemos os três gestos últimos de Jesus: envia, bendiz, desaparece.

Inicia-se naquele momento a «Igreja em saída» (papa Francisco). Começa com o envio que pede aos apóstolos uma mudança de olhar. Devem passar de uma comunidade, de uma Igreja que se coloca a si mesma no centro, que acende os holofotes sobre si, de uma Igreja centrípeta para uma Igreja que se coloca ao serviço do caminho ascensional do mundo, ao serviço do futuro do homem, da vida, da cultura, da casa comum, das novas gerações. Uma Igreja que perscruta o que de bom há no mundo, que quer captar, colher e fazer emergir as forças mais belas.

Convertei: cultivai e protegei as sementes divinas de cada pessoa. Como fazia Jesus, que percorria a Galileia e andava à procura das falhas, das fendas nas pessoas, onde escorriam águas sepultadas, como com a samaritana no poço. Captava as expetativas das pessoas e levava-as para a luz.

Assim a Igreja, sabendo que o seu anúncio é já precedido da presença discreta de Deus, da ação terna e poderosa do Espírito, é enviada ao serviço dos gérmenes santos que estão em cada um. Para os voltar a despertar.

Depois leva-os para fora, em direção de Betânia, e, erguidas as mãos, bendi-los. Uma longa bênção suspensa, na eternidade, entre Céu e Terra, olha pelo mundo. A maldição não pertence a Deus, devemos testemunha-lo. O gesto definitivo de Jesus é abençoar. O mundo recusou-o e matou-o, e Ele abençoa-o. Abençoa-me, tal como sou, nas minhas amarguras e nas minhas pobrezas, em todos as minhas dúvidas, nos meus cansaços.

Enquanto os abençoava, separou-se deles. A Igreja nasce daquele corpo ausente. Mas Jesus não abandona os seus, não vai para algures no cosmo, mas entra no profundo de todas as vidas. Não partiu para além das nuvens mas para além das formas: se antes estava junto dos discípulos, agora estará dentro deles, força ascensional de todo o cosmo em direção a uma vida mais luminosa.

 

Ermes Ronchi
In "Avvenire"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 06.05.2016

 

 
Imagem Desmaterialização - Ascensão (det.) | Eduardo Nery | 1990 | D.R.
A maldição não pertence a Deus, devemos testemunha-lo. O gesto definitivo de Jesus é abençoar. O mundo recusou-o e matou-o, e Ele abençoa-o. Abençoa-me, tal como sou, nas minhas amarguras e nas minhas pobrezas, em todos as minhas dúvidas, nos meus cansaços
Enquanto os abençoava, separou-se deles. A Igreja nasce daquele corpo ausente. Mas Jesus não abandona os seus, não vai para algures no cosmo, mas entra no profundo de todas as vidas
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