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«As pessoas e a sua dignidade são um valor superior» aos números, sublinha novo vice-reitor da Católica

«Na situação de governação em que estamos, temos uma ditadura da gestão dos números. Por isso, perceber que as pessoas e a sua dignidade são um valor superior é o caminho que tem de ser feito», considera o P. José Manuel Pereira de Almeida, novo vice-reitor da Universidade Católica.

Em entrevista publicada hoje na edição digital do “Diário de Notícias”, o médico, patologista e especialista em teologia moral social cita a recente carta do papa Francisco sobre as universidades católicas e comenta o que, no seu entender, falta fazer na instituição de que é também professor, na Faculdade de Teologia e no Instituto de Estudos Políticos.

«Temos de caminhar para que esta universidade seja aquilo que a leva a ser chamada de católica. É para essa dimensão da universalidade que temos de trabalhar. A senhora reitora trata muito bem desse aspeto, mas, por exemplo, é preciso dar atenção a uma outra dimensão, que as pessoas são mais importantes do que os números», assinala.

O pároco e secretário da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Dignidade Humana vai acompanhar, entre outros dossiês, a implementação da Faculdade de Medicina, revelando que se trata de «um projeto a médio prazo, talvez a dois ou três anos para começar», que se caracterizará por parcerias e que terá como modelo institutos de educação médica como os de Harvard, Maastricht e Albacete.



«A capela do Rato é um bom exemplo de como agarrar e ler a realidade de acordo com os critérios do Evangelho e de a tentar transformar»



«Sou alguém que está atento por formação diversificada aos outros e com a tecla do cuidado e da atenção à vulnerabilidade. É isso que reflito sob o ponto de vista teórico e e é isso que experimento sob o ponto de vista de compromisso pessoal», afirma ao passar em revista o percurso pessoal, que passou pela participação em grupos de jovens, à resposta ao chamamento a ser padre e a medicina.

Ligadas à oposição de católicos ao regime ditatorial que terminou em 1974, bem como ao entusiasmo na receção do concílio Vaticano II (1962-65), a capela do Rato, por onde passou, e a paróquia de Santa Isabel, onde hoje é pároco, foram «lugares onde se rasgaram horizontes e se percebeu que a Igreja é o que é. Mas é em mudança, em caminho, em diálogo com a história e não com uma coisa fechada».
«A capela do Rato é um bom exemplo de como agarrar e ler a realidade de acordo com os critérios do Evangelho e de a tentar transformar», observa, antes de lembrar que «o pensamento social cristão existe desde que existem cristãos, se calhar até antes».

«Os evangelhos têm dimensões sociais claras, quando se diz que os primeiros são os últimos ou que os últimos são os primeiros, ou que felizes são os pobres, ou que tive fome e deste-me de comer... Isto quer dizer que não havia uma organização social, mas que havia já dimensões sociais importantes e claras que tomaram depois contornos significativos com a reflexão dos pais da Igreja nos primeiros séculos», explica.



«A via das dúvidas é um belo caminho da fé. Ou seja, a via pelas questões, pelas perplexidades, pelas inquietações. Até que possamos dizer que sabemos que a nossa vida está nas mãos de Deus, é o caminho que corresponde à fé, mas é uma dúvida»



Mais apropriado do que falar em «doutrina» social da Igreja, termo que parece «uma coisa rígida e estática e, de facto, é tudo menos isso», é dizer «pensamento» social da Igreja «exatamente porque há essa ideia da dimensão da historicidade».

A medicina ajudou o P. José Manuel Pereira de Almeida a «ter uma cabeça mais arrumada e a dar atenção ao diagnóstico das situações. Tentar perceber bem as coisas na complexidade do que vivemos, perceber que ou as coisas estão presentes no seu conjunto, ou não é tratando setorialmente que se chega a algum lado».

Já a fé «é uma espécie de dúvida»: «A via das dúvidas é um belo caminho da fé. Ou seja, a via pelas questões, pelas perplexidades, pelas inquietações. Até que possamos dizer que sabemos que a nossa vida está nas mãos de Deus, é o caminho que corresponde à fé, mas é uma dúvida».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Diário de Notícias
Imagem: Phongphan/Bigstock.com
Publicado em 06.10.2018

 

 
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