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A arte «é um movimento de ascensão» que estará sempre «próximo do espírito religioso», afirma Rui Chafes

Imagem Ascensão 2 (det.) | Rui Chafes | Igreja de S: Cristóvão, Lisboa | SNPC/rjm

A arte «é um movimento de ascensão» que estará sempre «próximo do espírito religioso», afirma Rui Chafes

O escultor Rui Chafes afirmou esta quinta-feira, em Lisboa, que «a arte, desde a sua origem, é um movimento de ascensão e será sempre um movimento próximo do espírito religioso».

As palavras do artista distinguido com o Prémio Pessoa 2015 foram proferidas durante a inauguração da instalação "Ascensão", que pode ser vista na igreja de S. Cristóvão, no âmbito da terceira fase da exposição "Não te faltará a distância", comissariada por Paulo Pires do Vale.

«Quem conhece um pouco a maneira como eu penso e como eu trabalho, sabe que eu prezo muito que a arte a que chamamos contemporânea tenha uma participação no mundo mais próxima das pessoas, e sobretudo em locais onde elas não precisam de pagar bilhete para entrar nem precisam de querer ir encontrar a arte», referiu.

Para Rui Chafes, «um dos desafios grandes da arte contemporânea será sempre devolver a arte ao mundo e surpreender as pessoas, fazendo com que elas a encontrem e ela vá ter com as pessoas, sem ser preciso procurá-la. Isto passa pela não apresentação exclusiva de obras de arte em museus e galerias, mas também em sítios onde as pessoas vivem, levando a arte ao mundo, à comunidade».

A igreja de S. Cristóvão é «uma pequena joia», «um segredo escondido de Lisboa», acentuou o escultor, que olha para a sua instalação como ocasião «privilegiada» para testar o seu trabalho, observando «como ele se comporta num espaço que não é artístico, mas de culto».

«Tenho especial gosto em saber que todos os dias, às 18h00, há aqui uma missa, e portanto isto fica cheio de cadeiras, e as pessoas põem-se ao lado das esculturas - umas veem-nas, outras não as veem, é sempre assim -, e as esculturas estão ao pé do lado espiritual do ser humano», declarou.

A instalação de Rui Chafes parte da imagem «dos degraus da escada de pedra [entre a igreja e o piso superior] gastos pela passagem das pessoas, durante centenas de anos», realçando a «humildade das pedras gastas», o elemento que mais sobressaiu ao escultor quando visitou o espaço pela primeira vez.

«Percebi que a ascensão é feita através do esforço, através do nosso próprio peso. E como dizia uma nossa amiga, possivelmente a peça não está a subir mas a descer, a ascensão e a queda são próximos», assinalou o escultor.

Para Paulo Pires do Vale, a exposição "Não te faltará a distância", composta por quatro etapas, estimula o público a visitar várias vezes a igreja, mas «sempre de forma diferente».

«O objetivo não é apenas introduzir aqui objetos, mas permitir que eles, com as obras que aqui estão, nos façam olhar para elas de outro modo; e o mesmo com os objetos que não estão, como é o caso deste espaço [no centro da igreja, onde habitualmente estão cadeiras para a assembleia] para poder estar agora esta escultura [a "escada" de Rui Chafes] e os nossos corpos em movimento», referiu.

A imagem de S. Cristóvão, padroeiro da igreja, «com o peso do mundo às costas», despertou em Paulo Pires do Vale a evocação da obra de Rui Chafes, que trabalha o peso do ferro e o transforma «em qualquer coisa de leve», contraste também acentuado com a alternância entre luz e obscuridade presente na instalação.

A exposição "Não te faltará a distância" enquadra-se no projeto "Arte por S. Cristóvão", que visa a recuperação da igreja, estimada pelo pároco, padre Edgar Clara, em um milhão de euros.

O projeto venceu o Orçamento Participativo de 2014, promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, e com o financiamento têm sido organizadas exposições, visitas, debates e vendas simbólica de telhas, entre outras iniciativas, com vista à angariação da verba necessária para a realização das obras. Parte significativa do orçamento previsto para o restauro é dedicada à recuperação de 35 telas de Bento Coelho da Silveira (1617-1708).

Concluída na segunda metade do século XVII, a igreja, igualmente conhecida por ter resistido em grande parte ao sismo de 1 de novembro de 1755, tem arquitetura maneirista e barroca.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 09.05.2016

 

 

 
Imagem Ascensão 2 (det.) | Rui Chafes | Igreja de S: Cristóvão, Lisboa | SNPC/rjm
«Tenho especial gosto em saber que todos os dias, às 18h00, há aqui uma missa, e portanto isto fica cheio de cadeiras, e as pessoas põem-se ao lado das esculturas - umas veem-nas, outras não as veem, é sempre assim -, e as esculturas estão ao pé do lado espiritual do ser humano»
A imagem de S. Cristóvão, padroeiro da igreja, «com o peso do mundo às costas», despertou em Paulo Pires do Vale a evocação da obra de Rui Chafes, que trabalha o peso do ferro e o transforma «em qualquer coisa de leve», contraste também acentuado com a alternância entre luz e obscuridade presente na instalação
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