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Arte «convoca sempre muitas coisas ao mesmo tempo» e implica «aprendizagem»

Arte «convoca sempre muitas coisas ao mesmo tempo» e implica «aprendizagem»

Imagem "Medida incerta" | José Pedro Croft | Veneza | © Daniel Malhão/Expresso

José Pedro Croft, que representa Portugal na Exposição Internacional de Veneza de 2017, está convicto de que «a arte não tem um discurso ordenado e claro, convoca sempre muitas coisas ao mesmo tempo».

«Do inconsciente até à perceção, há muitos mecanismos que são ativados quando contemplamos ou criamos as obras. E aquilo de que elas falam é de impossibilidades e paradoxos», declara em entrevista ao "Jornal de Letras", na sua mais recente edição.

Um exemplo é dado pelas seis esculturas de ferro e vidro expostas em Veneza, "Medida incerta", que «têm uma relação com a arquitetura, com o espetador, com a paisagem e que marcam um território. Esse é o lado da sua presença. Por outro, estão em desequilíbrio, fora de eixo, o que fala também sobre a fragilidade e a impermanência»

O escultor (Porto, 1957) considera que «a arte é uma forma de expressão e de comunicação que, de alguma maneira, não tem fronteiras, mas implica sempre uma aprendizagem. «A pintura impressionista implicou uma aprendizagem do público que certamente estranhou aquelas manchas de cor esquisitas, tal como depois a abstração ou a arte concetual».

Por isso, prossegue José Pedro Croft, «equacionam simultaneamente coisas que são contradições. Essa é a função da obra de arte e não apresentar um discurso coerente. Isso é outro assunto, ciência ou matemática».

«Tenho a noção, hoje, que independentemente do que as obras de arte são, do que lá está modelado, é tanto ou mais importante aquilo que é capaz de arrastar e invocar. Por isso, uma obra de arte pode ser uma simples linha ou mancha de cor e pode ser extraordinariamente importante pela capacidade de convocação que tem, por exemplo, remetendo para toda a história da pintura, do desenho ou da escultura. Esse foi um caminho que fui fazendo até onde estou neste momento», afirma.

Os planos de vidro espelhado ou colorido a azul e vermelho com três por seis metros, soldados a estacas de ferro que chegam aos oito metros de altura, em Veneza até novembro num jardim do início do século XX, foram adquiridos pela Câmara Municipal de Matosinhos, que os exporá em local a revelar.

A produção, orçada em mais de 100 mil euros, contou com o apoio mecenático do empresário José Maria Ferreira.



 

Fonte: "Jornal de Letras"
Edição: SNPC
Publicado em 19.05.2017

 

 
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