

Deposição (det.) | Caravggio | Museus do Vaticano
Uma exibição de 42 pinturas dos Museus do Vaticano, incluindo um ícone do séc. XII com Cristo a abençoar e "A deposição", de Caravaggio (1603-4), vão ser exibidos ao público a partir desta sexta feira em Moscovo, na galeria estatal Tretyakov.
A mostra ficará aberta até 19 de fevereiro, e no outono de 2017 a galeria russa realizará gesto idêntico ao emprestar um conjunto de obras ao Vaticano, revela a página "The Art Newspaper".
«Isto aconteceu por causa do encontro entre o vosso líder, Vladimir Putin, e o papa Francisco», afirmou o diretor dos Museus do Vaticano, Antonio Paolucci, acrescentando que a ideia do intercâmbio foi lançada por ocasião do primeiro encontro entre ambos, em 2013.
A pintura "Fé e caridade", de Rafael (1507) e "O martírio de Santo Erasmo", de Nicolas Poussin (1628-29), que inspirou vários artistas russos que visitavam Roma, fazem parte das obras-primas incluídas na exposição "Roma Aeterna" (Roma Eterna).
Paolucci sublinhou que as obras emprestadas «representam o melhor do melhor das coleções do Vaticano», exigindo dos museus «um grande sacrifício», tendo em conta as seis milhões de pessoas que anualmente os visitam.
O responsável frisou que este acordo é uma forma de manifestar «compreensão e investigação mútuas que, claro, será continuada», tendo igualmente acentuado que a parceria «é um sinal de amizade entre as Igrejas católica e ortodoxa».
«É um acontecimento cultural significativo e, ao mesmo tempo, um importante fator de desenvolvimento das nossas relações bilaterais», declarou o patriarca russo Cirilo esta terça-feira, em Moscovo, durante um encontro com o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch.
O curador da exposição, Arkady Ippolitov, do museu Hermitage, disse que é especialmente importante para os russos ver a "Lamentação sobre Cristo morto", de Giovanni Bellini (1471-74) e o "Milagre de S. Vincente Ferrer", de Ercole de'Roberti (1473), e afirmou que ficou surpreendido esta pintura.
A mostra é financiada por uma fundação pertencente a Alisher Usamanov, que a "Forbes" refere ser o homem mais rico da Rússia. O museu recusou revelar o custo da exposição. Os bilhetes vendidos pela internet estão esgotados até ao fim do ano.