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Aquelas doenças mortais causadas pelo fechamento e excesso

Imagem D.R.

Aquelas doenças mortais causadas pelo fechamento e excesso

As principais causas de morte na população mundial são as doenças NCD (Non Communicable Diseases), isto é, que não se contraem por infeção, mas são causadas por estilos de vida inapropriados.

O acrónimo cunhado pela Organização Mundial de Saúde, que não é dos mais felizes, dado que “doenças não comunicáveis, ou não transmissíveis” é uma expressão que pode ter conotação positiva – “podia ser pior, pelo menos não se transmitem” -, diz respeito à génese, e não à propagação.

São NCD as doenças cardiovasculares (enfartes, ataques), tumores, diabetes, entre outras, causadas pela sedentariedade, alimentação incorreta, abuso de substâncias como álcool, fumo e droga, e sobretudo pelo stress.

Elas constituem a somatização de um modo de viver individualista, centrado em si, doenças «que se apoderam da pessoa pouco a pouco, a partir de aspetos simples da vida diária: o que se come, o quanto fica parada em vez de se mexer, o esforço que prefere não fazer, quantos detritos inala nos pulmões, e tantas outras coisas», escreve o psicoterapeuta e psicanalista Claudio Risé, no seu livro “Sazi da morire”.

Na obra recentemente lançada em Itália pelas edições San Paolo, o docente universitário aponta para um vertiginoso aumento do consumo de antidepressivos e ansiolíticos, com sobrecarga de trabalho para psicólogos e psiquiatras. A doença NCD resulta, substancialmente, de se estar «fechado em si mesmo, pouco disponível a uma autêntica troca com os outros e com o resto do mundo».

Risé insiste muito na redescoberta do sentido do limite, da «necessidade», do cansaço, e na importância de não mortificar o instinto, que é sempre uma componente essencial da pessoa.

O autor analisa com precisão as «desilusões do desejo» e as consequências da tecnologia invasiva que oferece a ilusão de que os robôs substituem as pessoas: pobre robô, que, por muito aperfeiçoado, «não tem a consciência, com as suas quatro funções: pensamento, sentimento, intuição, sensação».

De grande impacto é o desmascaramento da teoria do género, apoiada pelos «grandes centros de poder estatal e económicos ocidentais»: «Confundir e reduzir o género à orientação sexual, fixando-o depois numa forma precisa e fixa que será considerada identidade pessoal, equivale a arquivar de maneira burocrática um aspeto criativo, fluido, inorgânico (diferentemente do sexo), dotado de múltiplos aspetos, e por si próprio potencialmente mutável ao longo da vida, como cada outra parte da personalidade».

Devastadoras são as intervenções de natureza violenta (mesmo se sob formas suaves) sobre os adolescentes, obrigados a manifestar algo de íntimo e ainda em formação: «Além da constante plasticidade do cérebro, com efeito, a esfera da afetividade, a que pertence também a orientação sexual, é amplamente indefinida pelo menos até aos 20 anos. Toda a intervenção precoce nesse sentido reveste-se por isso de um carácter abusivo, com os consequentes danos».

A tríade prazer-riqueza-imagem, acompanhada pelo desprezo por todo o cansaço físico, alimenta o solipsismo da sociedade da abundância, «devotada ao culto do demasiado: demasiado dinheiro, demasiado alimento, demasiado açúcar, demasiadas gorduras, demasiadas drogas». Enquanto que o caminho da felicidade está sempre na abertura – real, não só virtual – em relação aos outros, sem esquecer que «Deus é o primeiro outro, o Tu que desvela a pequenez pessoal e abre a estrada ao encontro com os outros».

 

Cesare Cavalleri
In "Avvenire"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 07.06.2016

 

 
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O autor analisa com precisão as «desilusões do desejo» e as consequências da tecnologia invasiva que oferece a ilusão de que os robôs substituem as pessoas: pobre robô, que, por muito aperfeiçoado, «não tem a consciência, com as suas quatro funções: pensamento, sentimento, intuição, sensação»
A tríade prazer-riqueza-imagem, acompanhada pelo desprezo por todo o cansaço físico, alimenta o solipsismo da sociedade da abundância, «devotada ao culto do demasiado: demasiado dinheiro, demasiado alimento, demasiado açúcar, demasiadas gorduras, demasiadas drogas»
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