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«O antídoto mais eficaz» contra a violência é a «educação para a descoberta e aceitação da diferença»

Imagem D.R.

«O antídoto mais eficaz» contra a violência é a «educação para a descoberta e aceitação da diferença»

O papa Francisco recebeu este sábado, no Vaticano, os participantes de um encontro promovido pelo Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islamismo, tendo acentuado a importância do estudo e da valorização da diferença entre religiões.

Os 50 anos daquele organismo em Roma, após o seu nascimento na Tunísia, «demonstram como a Igreja universal, no clima de renovamento pós-conciliar, percebeu a necessidade de um instituto explicitamente dedicado à investigação e à formação de agendes do diálogo com os muçulmanos», afirmou.

«Talvez nunca como agora se compreende tal necessidade, porque o antídoto mais eficaz contra toda a forma de violência é a educação para a descoberta e a aceitação da diferença como riqueza e fecundidade», sublinhou o papa.

Para Francisco, «a cultura e a educação não são de modo nenhum secundários num verdadeiro processo de aproximação ao outro que respeite, em cada pessoa, a sua vida, a sua integridade física» e a sua «dignidade», a par da sua «identidade étnica e cultural, as suas ideias e as suas escolhas políticas».

«Quando nos aproximamos de uma pessoa que professa com convicção a própria religião, o seu testemunho e o seu pensamento interpelam-nos e levam-nos a interrogarmo-nos sobre a nossa própria espiritualidade», declarou o papa, depois de alertar para o perigo de se cair «nos laços de um sincretismo religioso» que «diz sim a tudo para evitar problemas».

No princípio do diálogo está o «encontro»: «Dele se gera a primeira consciência do outro. Se, com efeito, se parte do pressuposto da comum pertença à natureza humana, podem superar-se os preconceitos e as falsidades, e pode começar-se a compreender o outro segundo uma perspetiva nova».

O diálogo entre islão e cristianismo «exige paciência e humildade», a par de um «estudo aprofundado», realçou o papa, que pediu um «compromisso duradouro e contínuo» aos membros do instituto para evitar a impreparação nas diversas situações e contextos.

«Exige-se uma preparação específica, que não se limite à análise sociológica, mas tenha as características de um caminho entre pessoas pertencentes às religiões que, ainda que de maneiras diferentes, se referem à paternidade espiritual de Abraão», assinalou.

Francisco considera que «apesar de algumas incompreensões e dificuldades», foram dados nos últimos anos «passos em frente no diálogo inter-religioso, também com os fiéis do islão».

«É essencial o exercício da escuta. Ela não é apenas uma condição necessária num processo de compreensão recíproca e convivência pacífica, mas é também um dever pedagógico, a fim de se ser capaz de reconhecer os valores dos outros, compreender as preocupações subjacentes às suas solicitações e fazer emergir as convicções comuns», referiu.
A concluir, Francisco pediu ao organismo académico para que «nunca traia a tarefa primária da escuta e do diálogo, fundada em identidades claras, investigação apaixonada, paciente e rigorosa da verdade e da beleza, disseminadas pelo Criador nos corações de cada homem e mulher, e realmente visíveis em cada autêntica expressão religiosa».

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 24.01.2015

 

 
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No princípio do diálogo está o «encontro»: «Dele se gera a primeira consciência do outro. Se, com efeito, se parte do pressuposto da comum pertença à natureza humana, podem superar-se os preconceitos e as falsidades, e pode começar-se a compreender o outro segundo uma perspetiva nova
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