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Anticlericalismo e desafios ao cristianismo na Revista Lusófona de Ciência das Religiões

Anticlericalismo e desafios ao cristianismo na Revista Lusófona de Ciência das Religiões

Imagem lucky12/Bigstock.com

A mais recente edição da Revista Lusófona de Ciência das Religiões (n.º 20) é dedicada ao anticlericalismo e aos desafios da contemporaneidade ao cristianismo.

«Novos anticlericais vêm ocupar o lugar que os anticlericais clássicos estariam a deixar vazio por sentirem que os argumentos com que sustentavam a causa foram, a pouco e pouco, enfraquecendo e perdendo oportunidade», nota a introdução ao dossiê sobre o anticlericalismo, que conta com 10 artigos.

Para Luís Machado de Abreu, autor do texto, «os teólogos do mercado e da finança, com a sua plêiade de acólitos, parecem agora em vias de se constituírem em novos adversários do clero».

«Já não serão tanto os pobres, os excluídos, os injustiçados, ou quem por eles toma a palavra, a acusar de traição os padres e a Igreja. Bradam contra ela, mais que ninguém, os que fizeram profissão de fé na religião do capital e do lucro, na exacta medida em que sofismam ameaças que nascem da “alegria do Evangelho”», assinala.

E poderá chegar-se ao ponto de dizer que o próprio pontificado alinhou nas críticas? «Existem igualmente sinais dados pelo próprio Papa Francisco que parecem dirigidos contra alguns tiques de clericalismo, bem evidentes ainda no seio da Igreja. Esses sinais sugerem, por isso, um tipo de anticlericalismo interno e de cúpula».

«Não é difícil encontrar boas razões de natureza sociológica, pedagógica, ética, e mesmo política e religiosa, para prestar atenção a tão apaixonante realidade social. O anticlericalismo tem a natureza de elemento catalisador de forças sociais em ação no espaço público», refere o autor.



«O desafio que se apresenta é essencialmente este: colocar à prova a capacidade do cristianismo para apresentar respostas adequadas e compreensíveis às questões que se levantam todos os dias»



Luís Machado de Abreu considera que «embora ninguém esteja seguro de alguma vez ter sido passada declaração de óbito ao anticlericalismo, parece indubitável que ele há muito deixou as luzes da ribalta no quotidiano da sociedade portuguesa e se remeteu a episódios esporádicos, sem o alarme social de outras eras».

«Apesar de alguns casos mediáticos, parece pacífico que se esbateu a ideia de incompatibilidade absoluta entre fé e razão, entre religião e ciência, admitindo-se que os dois campos se organizam a partir de jogos de linguagem e de códigos institucionais autónomos e discursivamente paralelos», aponta.

Os ensaios publicados nesta edição pretendem «ampliar o conhecimento crítico do universo anticlerical em três direções principais: percursos literários e culturais, modalidades de expressão e comunicação, bases para estudos comparados»

O texto de introdução ao dossiê “Desafios da contemporaneidade ao cristianismo”, com 11 artigos, acentua que «a fé cristã tem vindo a ser questionada, de forma cada vez mais direta e enfática, pela evolução da ciência e da tecnologia, pelas dinâmicas sociais e políticas e por uma espécie de consciência universal que se move nos campos do ambiente, da justiça, da economia e da ética».

«Portanto, o desafio que se apresenta é essencialmente este: colocar à prova a capacidade do cristianismo para apresentar respostas adequadas e compreensíveis às questões que se levantam todos os dias, numa sociedade cada vez mais complexa e complexificada, e num mundo em mudança permanente e vertiginosa», salienta José Brissos-Lino.

Da fé cristã esperam-se «as pistas e os sinais» para se compreender «que ela permanece atenta aos fenómenos da contemporaneidade», bem como para perceber «que tipo de respostas efetivas e eficazes poderá estar pronta e disposta a dar, tanto a crentes como a não-crentes».

Dirigida por Paulo Mendes Pinto e Alfredo Teixeira, a revista, publicada semestralmente, é editada pela área de Ciência das Religiões do Grupo Lusófona. Os textos deste volume estão disponíveis para consulta gratuita na Internet.






 

SNPC
Publicado em 02.01.2018

 

 

 
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