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Alice Vieira homenageada no festival literário Escritarias

Imagem Alice Vieira | D.R.

Alice Vieira homenageada no festival literário Escritarias

A escritora Alice Vieira é homenageada de 6 a 9 de outubro no festival literário Escritarias, em Penafiel, com a participação de vários escritores, como José Tolentino Mendonça, Mário Cláudio e Mário Zambujal, entre outras figuras da criação artística.

«Fico contente por se terem lembrado de mim. E espero que as pessoas gostem de lá ir e de conversar sobre os livros. Isso é o importante», afirmou em declarações publicadas na mais recente edição do Jornal de Letras.

A obra da autora, mais de 80 títulos para crianças, jovens e adultos, estará em destaque através de conferências, debates, duas exposições, iniciativas com escolas, arte pública, música, teatro, instalações e montras.

«Acreditamos que vamos viver momentos especiais com muitas pessoas a reverem-se no que já leram em criança e que partilharam, depois, com os seus filhos, tal é grandeza da obra da autora ao nível da literatura infantil e juvenil», salienta o presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Antonino de Sousa.

No festival vai ser lançado o livro "Diário de um adolescente na Lisboa de 1910", com ilustrações de Patrícia Furtado, a partir de um trabalho realizado para o Jornal de Notícias no ano do centenário da Implantação da República, em 2010. Entretanto, Alice Vieira prepara um novo livro de poesia.

Em novembro de 2014, a escritora revelou que se sentia surpreendida pela falta de cultura bíblica, nomeadamente entre as crianças, para quem escreveu o livro “Histórias da Bíblia para ler e pensar”.

«Estamos numa laicização tremenda», declarou Alice Vieira durante a 5.ª Jornada de Teologia Prática, centrada no tema “As intrigantes linguagens da fé”, que decorreu na Universidade Católica, em Lisboa.

Nascida em Lisboa no ano de 1943, entrou para a faculdade e para o jornal “Diário de Lisboa”, onde conheceu um «católico fervoroso, e não menos fervoroso comunista», que viria a ser o marido, o jornalista e escritor Mário Castrim.

O primeiro presente que recebeu dele foi uma Bíblia «destinada a ser lida como literatura»: «Tudo o que precisares, abre o livro ao calhas e encontras a resposta». Desde então, as leituras bíblicas foram «sempre algo normal» em sua casa, referiu Alice Vieira no encontro promovido pela Faculdade de Teologia.

Em depoimento ao jornal Público, disse estar próxima de um livro bíblico «óbvio para quem está ligado às letras: os Salmos»: «Está para lá de tudo, ninguém tem dúvida de que é o grande livro da Bíblia. É grande literatura, onde a palavra é muito bem utilizada. O autor é o maior poeta de todos, consegue chegar até hoje como se escrevesse agora. Estão lá as nossas angústias e medos, o nosso desespero, mas também a nossa felicidade e a nossa esperança».

«De cada vez que releio a Bíblia, mesmo em passagens já conhecidas, pensa-se em coisas novas. No Novo Testamento, o que prefiro é o Evangelho de S. Marcos. Talvez por ser mais rigoroso, o mais jornalístico de todos. No Antigo Testamento, o que me atrai é a literatura, no Novo Testamento é o rigor das coisas», revelou ao jornalista António Marujo.

Licenciada em Filologia Germânica, passou por vários jornais, como o Diário de Notícias, a cuja redação pertenceu até 1990, e colaborou com o Jornal de Notícias, e a revista Activa, escrevendo hoje, regularmente, para o Jornal de Mafra e para a revista juvenil Audácia, dos missionários combonianos.

O primeiro romance juvenil, "Rosa, Minha Irmã Rosa", lançado em 1979, ganhou nesse ano o “Prémio de Literatura do Ano Internacional da Criança”. Foi a primeira de várias distinções que tem obtido em Portugal e no estrangeiro.

Integrou equipas de escritores dos programas de televisão para a infância, como “Rua Sésamo”, “Jornalinho”, “Hora Viva” e “Arco-Íris”.

Orienta regularmente oficinas de escrita criativa e desloca-se com frequência a escolas e bibliotecas em Portugal, bem como a países onde os seus livros estão traduzidos, como Espanha, Alemanha, Holanda, Itália, Suécia e Sérvia. É vice-presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores.

Este ano, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, no Brasil, premiou o seu livro “Meia hora para mudar de vida” (editora Caminho), como a melhor obra da categoria Literatura em Língua Portuguesa.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 01.10.2016

 

 

 
Imagem Imagem: D.R.
O primeiro presente que recebeu dele foi uma Bíblia «destinada a ser lida como literatura»: «Tudo o que precisares, abre o livro ao calhas e encontras a resposta». Desde então, as leituras bíblicas foram «sempre algo normal» em sua casa
Alice Vieira está próxima de um livro bíblico «óbvio para quem está ligado às letras: os Salmos»: «Está para lá de tudo, ninguém tem dúvida de que é o grande livro da Bíblia. É grande literatura, onde a palavra é muito bem utilizada»
Integrou equipas de escritores dos programas de televisão para a infância, como “Rua Sésamo”, “Jornalinho”, “Hora Viva” e “Arco-Íris”. Orienta regularmente oficinas de escrita criativa e desloca-se com frequência a escolas e bibliotecas em Portugal, bem como a países onde os seus livros estão traduzidos
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