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Advento, tempo de esperar

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Advento, tempo de esperar

«Constando-lhes que Jesus reduzira os saduceus ao silêncio, os fariseus reuniram-se em grupo. E um deles, que era legista, perguntou-lhe para o embaraçar: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Jesus disse-lhe: "Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas".» (Mateus 22,34-40)

Quem fez a experiência da espera - e quem é que nunca a fez? - sabe quão frequentemente ela dá lugar a uma espécie de vertigem. Quem sabe se virá aquele ou aquilo que espero? É aqui que devo esperar? Ou terei falhado a hora do encontro? Terá acontecido alguma desgraça a quem espero? Hoje, graças aos telemóveis e aos outros modernos meios de comunicação, consegue-se ter resposta imediata a estas perguntas e anula-se assim a experiência da espera.

Com Deus, todavia, e com o seu Cristo, as coisas são um pouco diferentes. Não podemos abolir a espera, a menos que decidamos - como muitos já fizeram - que Deus não existe. Mas quem foi conquistado pelo seu amor, não pode declarar que Deus não existe mais. E o seu tempo, a sua vida, desenrolam-se sob o signo da espera, até à vinda de Cristo. O texto do Evangelho acima proposto toma, à luz do Advento, uma dimensão particular. Permite compreender que a espera não é um tempo morto ou vazio, ou, pior ainda, absurdo: confere-lhe, pelo contrário, um conteúdo rico e fundamental.

A pergunta colocada a Jesus pelo especialista na lei centra-se no «maior mandamento». Diversamente da corrente rigorista, que refuta entrar em debate sobre essa interrogação porque, vindos de Deus, todos os mandamentos têm o mesmo valor, Jesus segue a corrente que reconhece a legitimidade do questionamento e responde sublinhando o que todo o judeu proclama diariamente na sua oração: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e como toda a tua mente» (Deuteronómio 6,5).

Declarando «este é o maior e o primeiro mandamento», parecia ter dado resposta à pergunta e tudo poderia concluir-se assim. Em Marcos, Jesus prossegue, dizendo: «O segundo é este: amarás o teu próximo como a ti mesmo» (12,31). Em Mateus, todavia, Jesus precisa que aquele segundo mandamento é «semelhante» ao primeiro, ou seja, é diferente no conteúdo mas igual em grandeza.

Por isso não se pode escolher entre um e outro, e portanto entre Deus e o próximo, porque o amor pelo próximo é a demonstração verificável do amor com que se ama Deus, como recorda a primeira Carta de João: «Se alguém diz "amo Deus" e odeia o seu irmão, é um mentiroso. Pois aquele que não ama o próprio irmão, que vê, não pode amar Deus, que não vê» (4,20).

Se ocuparmos o tempo de espera - não só neste Advento, mas o da espera do regresso de Cristo, isto é, todo o nosso tempo - descentrando-nos de nós mesmos, preocupando-nos um pouco menos com o nosso eu, com o não nos perdermos em hipóteses aleatórias sobre a vinda do Senhor que tarda, se procurarmos, em vez disso, com o nosso amor pelo próximo responder ao amor com que Deus nos amou, então descobriremos que será sempre demasiado breve o tempo da nossa espera.

 

Irmão Daniel
In "Mosteiro de Bose"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 04.12.2015

 

 
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Se ocuparmos o tempo de espera - não só neste Advento, mas o da espera do regresso de Cristo, isto é, todo o nosso tempo - descentrando-nos de nós mesmos, preocupando-nos um pouco menos com o nosso eu, com o não nos perdermos em hipóteses aleatórias sobre a vinda do Senhor que tarda, se procurarmos, em vez disso, com o nosso amor pelo próximo responder ao amor com que Deus nos amou, então descobriremos que será sempre demasiado breve o tempo da nossa espera
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