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Acordo da Santa Sé com a China: «Não será fácil», mas a Igreja quer «trabalhar para as pessoas»

O reitor da Universidade de São José, em Macau, o padre português Peter Stilwell, considera que após os «anos de separação» entre a «comunidade clandestina», fiel ao Vaticano, e a «Igreja patriótica», seguidora do regime político na China, a relação entre ambas «não será fácil».

«Há que abrir espaço para que as duas comunidades se possam encontrar. É um trabalho de longo prazo, que se vai fazendo» declarou o responsável pela «única universidade católica na China continental» ao Diário de Notícias.

«Será positivo para a Igreja na China se, decorrente do acordo, for possível que os bispos se possam deslocar para os encontros internacionais, em que bispos de todo o mundo se encontram e trocam impressões. E será positivo até mesmo para a China em geral», afirma o professor.

A Igreja tem «uma posição pragmática» de quem não está «para guerras», mas «para trabalhar para as pessoas. E as pessoas em causa querem Batismo, a catequese, os casamentos, querem organizar a sua vida comunitária e viver a sua fé», observa.



«Toda a gente concorda que haver maior liberdade religiosa na China é algo desejável», sendo «é expectável que o atual acordo provisório assinado entre a China e a Santa Sé possa trazer isso», embora «haja quem obviamente duvide se vai resultar ou não»



O P. Luís Sequeira, residente em Macau, igualmente ouvido pelo Diário de Notícias, defende que «a parte positiva de se estar a dar passinhos para trás e para diante, é parecer que há um esforço mais direto de perceber que em termos simples um patriota pode ser católico e um católico pode ser patriota - e aqui parece-me estar o busílis da questão que aos poucos se está a procurar resolver».

Com efeito, prossegue o sacerdote, a questão central é a de que «cidadãos chineses, neste caso os bispos, tenham a sua consciência do dever nacional, do ser patriota, e por outro lado a dimensão espiritual de dizer que a comunidade cristã, que é universal, também tem um líder mas que é ao nível espiritual e pastoral».

O diretor do jornal macaense O Clarim avança a possibilidade de «a experiência de como Igreja e Estado se relacionam em Macau» poder ser «um ponto de referência para a Igreja no Continente».

«Toda a gente concorda que haver maior liberdade religiosa na China é algo desejável», sendo «é expectável que o atual acordo provisório assinado entre a China e a Santa Sé possa trazer isso», embora «haja quem obviamente duvide se vai resultar ou não», acrescenta o P. Joey Mandia ao Diário de Notícias.

O P. Peter Stilwell salienta que a instituição que dirige, ligada à Universidade Católica Portuguesa, tem «interesse em que haja um bom entendimento entre a Santa Sé e Pequim», tendo em conta a «situação que se arrasta há algum tempo»: «Somos a única universidade em Macau que não pode recrutar alunos da China continental. Vamos ver até que ponto este entendimento não redunda numa possibilidade de recrutar alunos».


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Diário de Notícias, Diário de Notícias
Imagem: Fachada da igreja de S. Paulo, Macau | Lao Ma/Bigstock.com
Publicado em 24.09.2018

 

 
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