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«Acolher o outro é acolher a Deus», recorda papa em mensagem para Dia do Migrante e Refugiado

Imagem © Jonathan Stutz/Fotolia

«Acolher o outro é acolher a Deus», recorda papa em mensagem para Dia do Migrante e Refugiado

«Porventura não é desejo de cada um melhorar as próprias condições de vida e obter um honesto e legítimo bem-estar que possa partilhar com os seus entes queridos?» Este é um dos questionamentos que o papa lança na mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado de 2016, revelada hoje pelo Vaticano.

No texto intitulado “Os emigrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia”, Francisco lembra que no Evangelho «o encontro e a receção do outro entrelaçam-se com o encontro e a receção de Deus: acolher o outro é acolher a Deus em pessoa».

«Todos os dias, porém, as histórias dramáticas de milhões de homens e mulheres interpelam a comunidade internacional, testemunha de inaceitáveis crises humanitárias que surgem em muitas regiões do mundo. A indiferença e o silêncio abrem a estrada à cumplicidade, quando assistimos como espectadores às mortes por sufocamento, privações, violências e naufrágios», salienta.

Ao mesmo tempo, «ninguém pode fingir que não se sente interpelado pelas novas formas de escravidão geridas por organizações criminosas que vendem e compram homens, mulheres e crianças como trabalhadores forçados», nomeadamente para serem usadas como soldados, no tráfico de órgãos, na mendicidade forçada e no abuso sexual.

Para o papa, uma estratégia concreta de ação passa por «esconjurar, se possível já na origem, as fugas dos prófugos e os êxodos impostos pela pobreza, a violência e as perseguições», pelo que a defesa da «dignidade» humana «deveria incluir, no seu primeiro nível, a necessidade de ajudar os países donde partem os emigrantes».

Impõe-se, por isso, superar a «fase de emergência para dar espaço a programas que tenham em conta as causas das migrações, das mudanças que se produzem e das consequências que imprimem novos rostos às sociedades e aos povos».

«Cada um de nós é responsável pelo seu vizinho: somos guardiões dos nossos irmãos e irmãs, onde quer que vivam. O cultivo de bons contactos pessoais e a capacidade de superar preconceitos e medos são ingredientes essenciais para se promover a cultura do encontro, onde cada um esteja disposto não só a dar, mas também a receber dos outros. De facto, a hospitalidade vive do dar e receber», acentua.

O documento realça que «não se podem reduzir as migrações à dimensão política e normativa, às implicações económicas e à mera coexistência de culturas diferentes no mesmo território».

Os migrantes e refugiados, assinala o papa, podem contribuir para o desenvolvimento do país de acolhimento, que deve ser respeitado na sua legislação, espiritualidade e tradições, ainda que desafiem o seu «modo tradicional de viver» alterem «o horizonte cultural e social com os quais se confrontam».

«É importante olhar para os emigrantes não somente com base na sua condição de regularidade ou irregularidade, mas sobretudo como pessoas que, tuteladas na sua dignidade, podem contribuir para o bem-estar e o progresso de todos, de modo particular quando assumem responsavelmente deveres com quem os acolhe, respeitando gratamente o património material e espiritual do país que os hospeda, obedecendo às suas leis e contribuindo para os seus encargos», refere.

Francisco defende também a necessidade de a opinião pública ser «informada de modo correto, até para prevenir medos injustificados e especulações» sobre os migrantes e refugiados, cujo próximo Dia Mundial a Igreja assinala a 17 de janeiro.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 01.10.2015

 

 

 
Imagem © Jonathan Stutz/Fotolia
Uma estratégia concreta de ação passa por «esconjurar, se possível já na origem, as fugas dos prófugos e os êxodos impostos pela pobreza, a violência e as perseguições», pelo que a defesa da «dignidade» humana «deveria incluir, no seu primeiro nível, a necessidade de ajudar os países donde partem os emigrantes»
«É importante olhar para os emigrantes não somente com base na sua condição de regularidade ou irregularidade, mas sobretudo como pessoas que, tuteladas na sua dignidade, podem contribuir para o bem-estar e o progresso de todos, de modo particular quando assumem responsavelmente deveres com quem os acolhe»
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