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A vida é sonho

«Talvez toda a vida seja apenas um sonho contínuo e o momento da morte seja um súbito despertar.»

Todos recordam o título da obra-prima dramática de Pedro Calderón de la Barca, “A vida é sonho” (1635). A imagem é retomada nesta frase de outro escritor famoso, que também era bispo, François Fénelon (1651-1715).

Trata-se obviamente de uma metáfora, mas é bem adequada à reflexão deste dia que tem por tema a morte cristã. São dois os significados que poderemos atribuir ao «súbito despertar» que a morte vai impor ao sonho da vida.

Primeiro que tudo, com força até brutal, varrerá todas as nossas ilusões: posse, sucesso, bem estar, glória dissolver-se-ão, e ficaremos nus na alma e no corpo. O que é efémero e temporal permanece no horizonte da caducidade e do tempo.

Só o que é eterno passa além. Eis porquê Cristo advertia para procurar não os tesouros que se consomem e são roubados, mas aqueles que permanecem e têm as mesmas qualidades de Deus: verdade, amor, justiça, virtude.

Mas há um outro despertar mais doce: diante daquele umbral abrir-se-á o horizonte do infinito e do eterno. Então, Deus já não será uma imagem desfocada, uma intuição lampejante e refletida, mas – como nos repetem S. João e S. Paulo – vê-lo-emos face a face, tal como Ele é, num diálogo de intimidade.

A morte é, portanto, um abanão que aterroriza, empobrece e faz cair as ilusões, mas é também um frémito que nos surpreende, ilumina e transfigura.


 

P. (Card.) Gianfranco Ravasi
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Milkos/Bigstock.com
Publicado em 01.11.2018

 

 
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