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A força das mães

A força das mães

Imagem Rustle/Bigstock.com

Contemplo-as debaixo de um abrigo, atónitas e mudas, com os seus embrulhos de lavandaria perfumados e alguns pacotes de biscoitos a entregar para além das barras. Sem maquilhagem ou roupa da moda, debaixo do sol ardente de agosto como debaixo da névoa do início de inverno.

Aqueles filhos que hoje estão atrás das barras de uma prisão saíram do seu ventre: para o mundo são delinquentes e bandidos, para elas são para sempre filhos a amar e proteger. Atrás das barras habitam os filhos, à frente das barras permanecem as suas mães, mulheres esplêndidas capazes de reencenar a cada amanhecer no exterior das prisões a reedição daquela primeira Mãe sob a cruz. "Stabat mater dolorosa": ontem, hoje e sempre.

Chamam-nas pobres mulheres, delas qualquer um se enternece, alguns outros talvez as gozem subtilmente: no entanto nada muda dentro daqueles corações que só são capazes de amar indefinidamente. Porque uma coisa é o delito, outra é o homem que o comete. O primeiro é condenado, o segundo é amado sem justificação.

Também na prisão se celebra o Dia da Mãe, daquelas extraordinárias heroínas que acampam como estátuas fora das barras para estender uma mão, acariciar a barba, beijar aquele filho de quem se experimenta evidente nostalgia. Os seus olhares cansados falam de fadigas e longas viagens, as suas rugas contam noites insones e pensamentos vagabundos, nos seus sapatos há idas e vindas sem mais certezas.



É por isso que as mães tremem mas não desesperam, têm medo mas não se resignam, choram mas não sucumbem. E se algumas vezes dão a impressão de desaparecer da vida de um filho é só para os fazer encontrar mais fortes no momento seguinte.



São mulheres especiais, as mães dos encarcerados, porque mulheres capazes de os pôr no mundo duas vezes: a primeira quando os fizeram entrar neste magnífico palco da existência, a segunda vez quando, no dia depois de um delito, arregaçaram as mangas e encontraram a coragem de descer também elas aos infernos das cadeias; para amar aqueles filhos quando talvez menos o merecessem. Perceberam que é precisamente aquele o momento em que mais precisam.

A geografia do Evangelho ambienta a vida de Maria entre Nazaré e Jerusalém, entre a normalidade oculta dos primeiros anos e a nostalgia da ressurreição dos últimos três anos. Desde aquele dia em cada mãe habita a inimitável capacidade de unir o quotidiano com a eternidade, o perfume da farinha com as lágrimas de nostalgia, a receita da sopa com o alfabeto da misericórdia, o recitar o terço com o arregaçar as mangas à frente de uma cela.

Os homens têm medo das mulheres: basta um seu olhar para dobrar delinquentes de velha data. Não é uma questão de força física, mas de força do coração porque a mulher, e ainda mais se mãe, impele o mundo um passo além da capacidade do homem. E os homens sabem-no porque Deus no ventre das mulheres depôs a custódia da vida até ao seu retorno.

É por isso que as mães tremem mas não desesperam, têm medo mas não se resignam, choram mas não sucumbem. E se algumas vezes dão a impressão de desaparecer da vida de um filho é só para os fazer encontrar mais fortes no momento seguinte.

Durante 20 anos Emanuel, condenado a prisão perpétua, conversou com a mãe atrás de um vidro; nem sequer a emoção de apertar aquela mulher. Após oito mil dias de cadeia teve a primeira conversa à volta de uma mesa. Passaram três dias sem que Emanuel lave a cara: não quer perder o perfume deixado pela mãe no seu pescoço quando o beijava. Dentro do ventre da prisão está o perfume da mãe a ter acesa a vida.



 

Marco Pozza
In "Avvenire"
Trad.: SNPC
Publicado em 06.05.2017

 

 
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